Doenças crônicas e a saúde na cidade

De acordo com o Ministério da Saúde (MS) brasileiro, as Doenças Crônicas  Não Transmissíveis (DCNT) são doenças multifatoriais, isto é, causadas por uma combinação de fatores ambientais e/ou mutações em genes múltiplos, que se desenvolvem no decorrer da vida e são de longa duração.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que as DCNT são um grave problema de saúde pública e que, no Brasil, em 2013, foram as responsáveis por mais de 72% das mortes segundo o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM).

Por conta da multifatoriedade das DCNT, o tabagismo, o consumo de álcool e outras drogas lícitas e ilícitas, a ausência de atividade física e uma dieta não balanceada podem agravar o quadro de uma DCNT no indivíduo, acarretando consideravelmente o restabelecimento da saúde. As condições ambientais também corroboram substancialmente na melhora ou piora do quadro clínico de quem sofre de uma DCNT.

Em países de baixa e média renda, como é o caso brasileiro, as pessoas portadoras de DCNT sofrem e têm mais dificuldades para o seus respectivos tratamentos, visto que o acesso aos serviços de saúde é menor, bem como tais DCNT são tardiamente diagnosticadas, favorecendo a morte prematura.

O MS considera que as doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias, o diabetes e o câncer são as quatro DCNT com maior impacto, bem como acarretam sobrecarga de cuidados médicos e de saúde pública, além de esforços e investimentos contínuos para os respectivos tratamentos.

A causalidade das DCNT é observada a partir de determinantes sociais tais como o sexo, a genética e a idade; e por fatores de risco intermediários como hipertensão, sobrepeso, obesidade, níveis elevados de colesterol e intolerância à glicose. Além desses fatores, como dissemos acima, os riscos modificáveis, ou seja, aqueles nos quais o sujeito pode interferir no seu hábito, como o uso de tabaco, do álcool e outras drogas, a inatividade física e consumo de alimentos não saudáveis interferem acentuadamente na condição de saúde de um portador de DCNT.

A partir desses dados, é preciso refletir sobre o modo como se vive nas cidades, pois uma boa parte dos sintomas das DCNT , principalmente no que se refere as doenças respiratórias, há uma relação direta com o meio ambiente.

É preciso que se discuta nos grandes centros urbanos como melhorar a  qualidade dos alimentos e a mobilidade urbana, ou seja,  para minimizar custos com doenças é preciso pensar em questões ambientais A mobilidade urbana tem relação direta com os níveis de poluição e, de quebra, com a saúde da população.

A boa notícia é que os municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes devem desenvolver um Plano de Mobilidade até abril de 2019, para que seja implementado nas cidades.  Assim, buscar meios de melhorar o transporte não é algo que se traduz somente em menos tempo dentro de um carro ou de um ônibus, mas é pensar sobre a possibilidade de melhoria da saúde física e psíquica de todo corpo social que vive e se locomove na cidade, em especial, das pessoas que sofrem com o quadro de DCNT.

 

 

 

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